A MORTE DE UM FILHO


A morte de um filho desorganiza, a vida transforma-se em momentos que oscilam entre a depressão e o desejo de viver pelo outro o que não poderá mais ser.

Quanto me custa esse premente apelo, nesta tão grande aflição.
Este canto triste e desembalado, neste arrastar dos dias, das horas; nestes momentos de profunda dor e rompimento.

A morte de um filho nos deixa divididos, nunca mais somos os mesmos. Partidos seguimos um caminho diferente dos que estão inteiros, pegamos outra via, conhecemos o caminho dos arruinados, pessoas que conhecem realmente o sofrimento.

A morte de um filho nos torna reais, nos rouba a magia e a ficção. Lembrando que a ruptura foi precisa, e definitiva. Não somos mais prisioneiros do mundo, mas buscamos coisas mais altas, mais célebres, mais significativas, e essa se torna nossa busca, nosso lema.

As atitudes se convertem em orações, para ficarmos mais perto, tê-los presentes. Tornamo-nos poetas da tristeza, que se revela cada dia, e que não desperta atenção e curiosidade nem um pouco às mentes ansiosas pela busca desenfreada da tal felicidade.

A morte de um filho lamentavelmente e naturalmente, pode endurecer corações.
Mas pode amadurecê-los também, para as circunstâncias. Diante da insensibilidade do mundo tornamo-nos espectadores críticos e nele não somos acolhidos, mas também não esperamos muito dele.

A morte de um filho desorganiza pensamentos, ações e atitudes, posturas e visão.
Somos desmascarados pelo destino, e a duras penas aprendemos a “reviver”.
O que antes contemplávamos se torna banal, e o que supervalorizávamos algo a mais.
Amar é tudo o que deveríamos ter feito com desapego e afinco.
Amar e amar!

A travessia nesse mar parece tão impossível.

(Valentina Izabel)


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